Embora muitas vezes tenha escolhido políticos como tema, não concordo com a ideia tão divulgada de que os políticos em geral não prestam. Pelo contrário. Como é habitual dizerem entre eles, também eu posso afirmar que, além de ser amigo de muitos deles, nutro a mais profunda estima e admiração por todos os políticos. No entanto, é um facto que há muito preconceito a pairar por aí. Também é verdade que entre preconceito e preconceito há certas convicções que o povo, na sua infinita ingenuidade, considera verdades absolutas. Como, por exemplo, que não há autarca que não meta a mão na lata. Obviamente é um exagero. A prova é que poucas vezes, senão mesmo nunca, um tribunal condenou autarcas suspeitos do tal crime que viola a confiança popular expressada pelas urnas. Por serem tão mediáticos, Valentim Loureiro e Fátima Felgueiras podem ser maus exemplos, mas também é possível que tenham sido vítimas duma campanha negra, tão na moda nos nossos dias. Por outro lado, fazer um ou outro biscate fora do trabalho é quase um desporto nacional. Isaltino Morais no seu julgamento explica como funciona a mente dum autarca. Ficar com as sobras das campanhas era uma prática normal. Pagar por fora para pagar menos impostos, quem não o faz? Ter inconscientemente uma conta na Suiça, quem não a tem? Ele próprio confessou ter feito isto e não é isso que o impede de afirmar que é um autarca impoluto, seja lá o que queira dizer “impoluto”. Contudo cometeu um erro. O povo, em particular, o seu povo de Oeiras podem perdoar-lhe o crime de participação económica em negócio, os três crimes de corrupção para acto ilícito, um de branqueamento de capitais, um de abuso de poder e outro de fraude fiscal. O que é imperdoável é que Isaltino insista que nunca pediu favores a ninguém, como ele não se cansa de repetir. Um homem que não pede favores ou não é português ou não tem amigos. E se não tem amigos, tenho pena mas não pode ser boa gente. Fora isso, tudo bem.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
0 comentários:
Enviar um comentário