quarta-feira, 1 de abril de 2009

O Senhor Comentador lembra ao público da ópera que nunca chegar a horas faz parte de ser português

O atraso de José Sócrates à ópera no Centro Cultural de Belém foi muito falado. Qual grande penalidade numa competição desportiva portuguesa o incidente suscitou muita indignação. A mais óbvia foi que o público presente vaiou as autoridades pela atitude de desrespeito da demora provocada. Foi injusto. Segundo fontes próximas de Sócrates, o responsável pelo atraso foi José Maria das Neves, primeiro-ministro cabo-verdiano, e que o nosso só chegou dez minutos depois da hora prevista e apenas ficou à espera da chegada do seu homólogo. Há uma explicação mais conservadora da conduta pouco civilizada do selecto público presente: os responsáveis do CCB não deviam ter esperado pelos ilustres convidados e deviam ter começado a hora marcada com ou sem eles. Também acho injusto. A ópera era de Cabo Verde, obra de António Tavares, coreógrafo, bailarino e músico cabo-verdiano. Julgo que José Maria das Neves fazia parte do espectáculo e, portanto, a sua presença era imprescindível. Mais uma vez a falta de civilidade do público selecto presente é indiscutível. Gostava de acrescentar mais um reparo à injustiça a que Sócrates, a sua namorada, a comitiva e o seu homólogo africano, foram vítimas ao serem vaiados pelo público selecto ali presente. Em Portugal ninguém chega a horas a lado nenhum. Ainda menos para presenciar uma ópera cabo-verdiana, a qual, segundo os especialistas, se tratava de “um espectáculo pluridisciplinar de dimensão operática, onde a música e o movimento vivem de tensões entre a suavidade onírica e o ritmo energético, reflexo da intensidade e dramatismo da narrativa”. Se isto não é uma desculpa para chegar atrasado, vou ali e já venho. Por outro lado é importante salientar que todos os comentadores deram por garantido que o nosso primeiro-ministro foi vaiado só por ter chegado com meia hora de atraso. Ninguém discutiu este motivo. Julgo que este pormenor foi uma vitória de José Sócrates e uma confirmação de que o Governo está no caminho certo. Fora isso, tudo bem.

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