Em vésperas da inauguração da Sala das Sessões da Assembleia da República, marcada para a quarta-feira da próxima semana, e face ao aviso d’Os Verdes que a partir de 25 de Abril estavam prontos para usar os novos meios audiovisuais – que permitem projectar imagens e filmes nos dois enormes ecrãs retrácteis agora instalados –, o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, levantou a questão dos “problemas deontológicos” que podem surgir e defendeu que se devia começar a utilização “com pequenos passos”. Julgo que nunca antes Os Verdes foram tomados tão a sério. Deve-se ter espalhado um pânico audiovisual entre todos os deputados. Imaginaram, e com razão, longas sessões de powerpoint ecológicas a mostrar a perturbação ambiental que uma nova auto-estrada podia provocar nos hábitos da lebre selvagem da Beira Alta ou do rato das neves em Trás-os-Montes. Os novos meios tecnológicos podiam também ser utilizados em campanhas negras. Os sucessos do governo podiam ultrapassar em duração o filme mais longo do Manoel Oliveira. Nem quero pensar o que mais podiam fazer os deputados com os novos brinquedos informáticos. Ainda bem que Jaime Gama teve a presciência de perceber a tempo a caixa de Pandora que se estava prestes a abrir na Sala de Sessões. Como era de esperar numa assembleia povoada por legisladores, o Presidente pediu urgência em legislar sobre os novos artefactos legisladores instalados. No entanto, gostaria de dedicar uma palavrinha de conforto ao nosso presidente da Assembleia. Gostaria de lhe dizer que tenha calma. A experiência diz-me que a informática, quando é entregue às mãos do Estado, demora muito a funcionar. E quando funciona tem sempre problemas de programação, erros de texto, vai abaixo. Enfim, leva tempo a estar operacional. Falta muito até os deputados aproveitarem os dois grandes ecrãs retrácteis para comunicar entre si no Twitter. Fora isso, tudo bem.
segunda-feira, 23 de março de 2009
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